Nunca tivemos tantos recursos para diagnosticar e tratar doenças. Exames sofisticados, inteligência artificial, medicamentos cada vez mais eficazes, cirurgias menos invasivas e tratamentos que, há poucos anos, nem existiam. Tudo isso é extraordinário e deve ser valorizado.
Mas existe outro lado dessa evolução que merece atenção.
A medicina também se tornou um grande mercado. Há cada vez mais serviços, exames, procedimentos e tratamentos sendo oferecidos. Em alguns modelos de assistência, o paciente deixa de ser visto como uma pessoa com uma história e passa quase a ser tratado como uma commodity, alguém a quem é preciso oferecer cada vez mais coisas.
E é justamente nesse cenário que ter um médico de confiança faz tanta diferença.
Não importa necessariamente a especialidade. O importante é ter alguém que conheça você, sua história, seus antecedentes, seus medos e suas prioridades. Um médico que possa ajudá-lo a interpretar informações, escolher bons especialistas, entender quando um exame realmente é necessário e decidir entre diferentes possibilidades de tratamento.
E, talvez tão importante quanto indicar o que fazer, é ter alguém capaz de dizer: “isso você não precisa fazer agora”.
Um bom médico não serve apenas para prescrever medicamentos ou solicitar exames. Ele também ajuda a frear excessos, evitar procedimentos desnecessários, colocar riscos e benefícios na balança e impedir que decisões importantes sejam tomadas apenas pelo medo, pela pressa ou pelo excesso de informação.
A prevenção continua sendo o nosso maior investimento, melhorar hábitos, cuidar do sono, da alimentação, praticar atividade física e realizar os exames recomendados de acordo com sua idade, seus fatores de risco e sua história, não simplesmente porque estão disponíveis.
Em uma medicina cada vez mais tecnológica, especializada e mercantilizada, ter alguém que cuide da visão do todo pode ser uma das coisas mais valiosas para a sua saúde.
Ainda existem médicos que acompanham, orientam, protegem e sabem dizer tanto “vamos investigar” quanto “não precisamos fazer isso”.
Esses médicos acabam se tornando o nosso porto seguro.
E nenhuma tecnologia substitui isso.
Dr. Paulo Antonio Lemos Curiati,
Coloproctologista RQE 107795



